"O centro da criação"
Jesus é o centro comum da criação, é o anel precioso que une a obra do Onipotente ao Criador divino, é a meta de todas as obras e dos desígnios todos da Providência, é a razão suprema, última, de todos os objetivos de Deus, na humanidade redimida, de quem é a cabeça, é a norma de todos os nossos progressos, a única verdade que ilumina cada homem e, consequentemente, toda humanidade.
Cf. Carta Pastoral (...) para a Santa Quaresma de 1878, Piacenza, 1878, pp. 25-26.
"O Verbo de Deus se fez carne e fez morada entre nós"
Grande mistério, mistério inefável, mistério dulcíssimo! O Verbo de Deus se fez carne e colocou sua morada entre nós (Jo 1,14), a divindade se uniu à humanidade e o invisível apareceu visivelmente, o Onipotente se tomou fraco, o Eterno começou a existir, o Imenso tornou-se limitado, fez-se o que não era, sem deixar de ser o que era (Fl 2,6). Quer dizer que, se há tempo, as nações temiam ao ouvir o nome da divindade, nós temos um Deus que não quer ser temido, mas amado (Rm 8,15). Por isso despoja-se da glória, oculta a majestade, liberta-se de toda aparência de grandeza, para aparecer como homem (Fl 2,7).
Este é Aquele que habita no alto dos céus, que passeia por sobre as asas do vento e que mede, com um olhar a terra, Ele é Deus (lo 1,1); mas quase teme aparecer como tal e parece estudar a maneira de não deixar transparecer, senão sua humanidade, para tornar popular a sua demência (Tt 3,4)
Cf. Carta Pastoral (...) para a Santa Quaresma de 1878, Piacenza, 1878, pp. 6-7.
"É nosso, verdadeiramente nosso, inteiramente nosso"
Fazendo-se homem, eis que Ele, o Eterno, o Imenso, o Criador e Senhor do Universo, o Rei imortal dos séculos, fez-se nosso amigo, nosso irmão, o companheiro de nosso exílio. Desde este dia até o fim dos tempos, Ele não nos abandonará jamais, vivendo por um espaço de trinta anos nossa vida mortal, e permanecendo conosco sob o véu eucarístico, "nascendo, torna-se associado".
Com ternura única de amor, far-se-á nosso alimento. Nada nos é mais íntimo que o alimento. Assimilando-se à nossa substância, conserva e renova nossas forças. É exatamente sob esta forma que Jesus quer pertencer-nos, "transforma-se em comida".
Não basta. Na Cruz Ele é nossa vítima. Para remir-nos do pecado e da morte, Ele derrama até a última gota de seu sangue e sacrifica a sua vida, constituindo-se preço do nosso resgate, "morrendo, nos resgata".
Finalmente, depois de dar-se a nós, de todos estes modos, Ele coroa seus benefícios, doando-se aos eleitos, nos esplendores da glória, para ser-lhes recompensa eterna, "reinando, dá-se em re-compensa." Sim, Jesus, desde este dia, é nosso, verdadeiramente nosso, inteiramente nosso. Seja Ele tudo para nós. Feliz de quem chega a compreendê-lo, e compreendendo-o não busca, não anseia, não quer, senão Jesus!!
Cf. Homilia de Natal, 1894 (AGS 3016/1).
"É necessário que Jesus Cristo viva em nós"
É necessário que Jesus Cristo viva em nós. É necessário que Ele opere continuamente, em nós, pois só Ele pode reconciliar a terra com o céu, só Ele pode amar a Deus, quanto é amável e prestar-lhe a honra que lhe é devida.
Mas, como pode Ele, Jesus Cristo, viver, em nós? Já foi dito: Através do seu espírito, "Nisto conhecemos que permanecemos n'Ele e Ele em nós, porque deu-nos o seu Espírito" (1Jo 5,13) e o espírito de Jesus Cristo é o espírito de humildade, de caridade, espírito de abnegação, de sacrifício, de penitência.
Cf. Carta Pastoral (...) para a Santa Quaresma de 1883, Piacenza, 1883, pp. 13-14.